segunda-feira, 8 de agosto de 2016


"A pedagogia de Paulo Freire, sendo método de alfabetização, tem como ideia animadora toda a amplitude humana da educação como prática da liberdade"
Professor Ernani Maria Fiori

sábado, 25 de julho de 2015

Cia. Academia inova ao apresentar Shakespeare “mineirizado” e em versão de rua - por Gilze Bara



Já imaginou ver um espaço que você frequenta diariamente ocupado pelos mais diferentes personagens teatrais? Pois foi isso o que aconteceu no Colégio Cristo Redentor/Academia de Comércio nos fins de semana de setembro de 2014. Deuses, fadas, elfos e outros seres encarnados pelos integrantes da Cia. Academia tomaram conta de áreas externas da escola, como as escadas da entrada principal, a pracinha na lateral do Teatro, a “rua” em frente ao Núcleo Artístico e o tradicional pátio do colégio – tudo fazendo parte das apresentações da peça Sonho de uma noite de verão.
O clássico de William Shakespeare foi adaptado pelo diretor do Núcleo Artístico da Academia, Ronan Lobo, e encenado pela nova Cia., que reúne integrantes das antigas Cias. de Atores e de Dança. Sonho de uma noite de verão ganhou ares mineiros e versão de rua, em forma de cortejo. Sob direção de Marcos Bavuso, 23 atores encantaram o público durante a temporada, aos sábados e domingos no período de 13 a 28 de setembro, e na apresentação extra no dia 18 de outubro. O espetáculo, livre para todas as idades, teve as músicas executadas ao vivo pelo próprio grupo.
No elenco, atores de 9 a 43 anos enfrentaram o desafio de encenar o texto em meio e com a participação do público. O espetáculo é coletivo e interativo, construído junto com a plateia. Desta forma, as encenações se diferenciam a cada dia, de acordo com a maior ou menor inclusão dos espectadores. O cenário foi composto por poucos adereços e complementado com os próprios espaços das apresentações. Já o figurino foi criado a partir da reciclagem de peças do acervo da Cia., enquanto a maquiagem foi concebida pelo próprio grupo.
Sonho de uma noite de verão conta as confusas histórias de amor de quatro jovens. Hermínia e Lisandro são apaixonados, mas o pai da mocinha quer que ela se case com Demétrio, que, por sua vez, é amado por Helena. Quando os deuses Oberon e Titânia têm um desentendimento, Oberon pede ajuda ao ser mágico Puck para se vingar da esposa. Mas, num ato de bondade, tenta auxiliar os obtusos mortais a darem fim a seus desencontros. Só que Puck faz tudo errado e a confusão aumenta ainda mais. Enquanto isso, um grupo de atores ensaia uma tragédia para ser apresentada em um casamento nobre – tragédia que, de tão ruim, parece mais uma comédia.
As opções de “mineirizar” o texto e apresentá-lo como um cortejo, em versão de rua, tiveram o objetivo de aproximar a história (escrita na década de 1590) da realidade local. “A teatralidade de Minas ocupa a rua de forma muito natural, desde suas construções arquitetônicas, seus cultos religiosos e suas festas populares”, afirmou Ronan Lobo, destacando, ainda, que a Cia. é um espaço de experimentação. O diretor do espetáculo, Marcos Bavuso, também se mostrou fisgado pela possibilidade de levar ao grupo uma nova forma de fazer arte: “O teatro é um ofício de risco sem rede de segurança, e o grupo merecia experimentar um novo jeito de se arriscar, de despertar outros olhares e outras possibilidades. Além disso, essa nossa primeira experiência de rua vai nos permitir apresentar para a cidade as ruas da escola, nas quais as pessoas transitam sem nem perceberem se tratar de ruas. São locais onde tantos sonhos são construídos e se realizam. Trazer para as nossas ruas pessoas que já sonharam lá é reinventar o próprio teatro.”
A Cia. Academia já expandiu a peça para além das fronteiras da escola. No dia 19 de outubro, encenou Sonho de uma noite de verão no parque do Museu Mariano Procópio. O público – de todas as idades – ficou surpreso ao ver os atores ocupando ilhas, árvores e barcos no lago. Muitas pessoas que já haviam assistido ao espetáculo na Academia foram novamente, movidas pela curiosidade de ver a peça no Museu. Para 2015, o grupo tem a intenção de levar a arte feita na Academia para outros espaços urbanos de Juiz de Fora e de outras cidades, sempre imprimindo uma visão artística diferenciada aos locais que fazem parte do cotidiano dos cidadãos.